“O Silêncio dos Livros”

O título criado pelo crítico literário francês George Steiner é inspiração para o autor do blog  homônimo que publica imagens de leitores e seus livros:  osilenciodoslivros.blogspot.com

A matéria “Os Livros na Era da WEB” da Revista Vida Simples (Maio/11) cita o blog e menciona a relação que é estabelecida entre o leitor e o livro durante a leitura, trazendo uma reflexão de como fica esse sutil diálogo na era da tecnologia e dos e-books: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/106/atitude/livros-era-web-629279.shtml

Você lê online? Tem um kindle? Sente falta de folhear o papel? Como é a sua relação com seus livros?

No blog acima há imagens ótimas, como a que ilustra esse post. Outra muito boa é essa aqui, que registra a pequena pausa reflexiva antes ou durante uma leitura.

(fonte: Revista “Vida Simples” Maio/11  Ed. Abril)

Por Luiza.

 

 

Mónica Carretero

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O Hobbit – Resenha

Aproveitando que as filmagens da adaptação de O Hobbit começaram e a fantasia medieval está em alta, como podemos ver em outra adaptação corajosa do volumoso Crônicas de Fogo e Gelo trazido pela HBO, vou deixar aqui a resenha do Nerd Escritor para este que foi o primeiro livro do unverso da Terra Média de Tolkien.

resenha no O Nerd Escritor

A Nova Literatura Brasileira

Abaixo, texto da Veja, falando sobre os novos escritores que estão fazendo sucesso aqui e lá fora. Me fez lembrar da escritora Cristina Lasaitis, que escreveu o Fábulas do Tempo e da Eternidade.

Nem só de Jorge Amado e Paulo Coelho vive o Brasil no mercado editorial estrangeiro. Apesar dos percalços para fazer nome lá fora, que vão da barreira do idioma às diferenças culturais, a literatura brasileira dispõe hoje de nomes promissores e outros em vias de consolidação em mais de 17 países. Um número bom, dadas as dificuldades da tradução.

Há até quem possa ser considerado bem sucedido sem ter vendido sequer um exemplar lá fora. É o caso do jornalista Edney Silvestre. Ele está de contrato firmado para publicar, a partir de outubro, o seu primeiro romance, Se Eu Fechar os Olhos Agora (Record), em seis países, e em negociação para editar em outros dois. Façanha impensável para a maioria dos autores brasileiros – ainda mais em se tratando de romancistas estreantes.

Aclamado por sua habilidade narrativa, o gaúcho Daniel Galera ganha espaço também no segmento das graphic novels. Além do romance Mãos de Cavalo chegar às prateleiras de quatro países europeus, seu livro em quadrinhos Cachalote, feito em parceria com Rafael Coutinho e lançado por aqui em 2010, tem contrato com a editora francesa Cambourakis.

artigo completo na Veja

A Gincana em Junho

Chegamos no meio do ano e a gincana já está à todo vapor. Antes de irmos para os números, vamos revelar uma mudança nas regras que já está valendo para essa contagem, para dar uma competição mais equilibrada entre os leitores de livros e os leitores de quadrinhos, a partir de agora, a cada 1000 páginas de quadrinhos será considerado 1 ponto. Isso porque a velocidade com que se lê uma HQ é muito maior do que quando se lê um livro. Nós perguntamos aos nossos leitores se eles eram a favor dessa mudança e muitos mostraram seu apoio. Assim, aqui estão os números desse mês:

 

  1. Klaus com 25 pontos
  2. Malu com 23 pontos
  3. Luciana Locks com 20 pontos
  4. Francisco com 17 pontos
  5. Mariana com 12 pontos
  6. Luiza com 8 pontos
  7. Celso e Gina com 6 pontos
  8. Lorna com 4 pontos
O total de obras lidas é 189.
Parece que o Klaus está começando a se afastar na liderança, será que ele consegue manter esse ritmo?

Como Jane Austen pode mudar sua vida

Aproveitando que a Malu acabou de ler Orgulho e Preconceito, aqui está um artigo da folha de 2006 que eu encontrei sobre a Jane Austen:

Alain de Botton escreveu um livro sobre Proust para mudar todas as vidas. Bom negócio. Nos últimos tempos, tenho pensado em Jane Austen para mudar a minha. Corrijo. Tenho pensado em mim, no meu bolso e nas histórias de Miss Jane para mudar as vossas. Assim é que é.

Acontece quando um amigo (melhor: uma amiga) entra aqui em casa com lágrimas nos olhos. Problemas sentimentais, por favor, não façam caso. Fatalmente, tenho sempre dois objetos sobre a mesa: uma caixa de lenços de papel e, claro, uma cópia de “Orgulho e Preconceito”, o livro que Jane Austen publicou em 1813. Entrego o livro e, com palavras paternais, aconselho: Lê “Orgulho e Preconceito” e encontrarás a luz, meu amor.

Eles lêem e depois regressam, com a alma levantada, mais felizes que Mr. Scrooge ao descobrir que está vivo e é Natal. Inevitável. Jane Austen entendia mais sobre a natureza humana do que quilos e quilos de tratados filosóficos sobre a matéria.

Mas, primeiro, as apresentações: leitores, essa é Jane Austen, donzela inocente que nasceu virgem e morreu virgem. Jane, esses são os leitores (ligeira vênia). A biografia não oferece aventuras. Poderíamos acrescentar que morou com a família até ao fim. Que publicou os seus romances anonimamente, porque não era de bom tom uma mulher se entregar aos prazeres da literatura. E que suas obras, apesar de sucesso moderado, têm conhecido nos últimos anos um sucesso estrondoso e as mais díspares interpretações políticas, literárias, filosóficas, até econômicas. Já li textos sobre a importância das finanças na obra de Jane Austen. Sobre o vestuário. Sobre a decoração de interiores. Sobre os usos da ironia no discurso direto. Para não falar de filmes – mais de vinte – que os seus livros –apenas seis– suscitaram nos últimos tempos. O último “Orgulho e Preconceito” foi recentemente filmado no Reino Unido, com Keira Knightley (suspiros, suspiros) no papel principal. Vai aos Globos de Ouro. Provavelmente, aos Oscars também.

A loucura é total. Jane Austen mal sabia que, depois da morte, em 1817, o mundo acabaria por descobri-la e, sem maldade, usá-la e abusá-la tão completamente. Justo. Considero Jane Austen uma das maiores escritoras de sempre. Incluo os machos na corrida. Sem Austen, seria impensável encontrar Saki, Beerbohm ou Wodehouse. Miss Jane é mãe de todos.

E “Orgulho e Preconceito”? “Orgulho e Preconceito” tem eficácia garantida para males de amor. Vocês conhecem a história: Elizabeth, filha dos Bennet, classe média com riqueza nos negócios (quel horreur!), conhece Darcy, aristocrata pedante. Ela não gosta da soberba dele. Ele começa por desprezar a condição dela –social, física– no primeiro baile onde se encontram. Com o tempo, tudo se altera. Darcy apaixona-se por Elizabeth. Elizabeth resiste, alimentada ainda pelas primeiras impressões sobre Darcy. Darcy declara-se a Elizabeth, sem baixar a guarda do preconceito social. Elizabeth não perdoa o preconceito de Darcy e, ferida no orgulho, recusa os avanços. Darcy vai ao “Faustão”. Não, invento. Darcy lambe as feridas e afasta-se. Mas tudo está bem quando termina bem: Darcy e Elizabeth, depois das primeiras tempestades, estão condenados ao amor conjugal. Aplausos. The end.

As consciências feministas, ou progressistas, sempre amaram a atitude de Elizabeth: nariz alto, opiniões fortes, capaz de vergar Darcy e o seu preconceito aristocrático. Elizabeth seria uma espécie de Julia Roberts em “Pretty Woman”, capaz de conquistar, com seu charme proletário, um Richard Gere que fede a presunção. “Orgulho e Preconceito” seria, neste sentido, um livro anticonservador por excelência, ao contrário de “Sensibilidade e Bom Senso”, onde a hierarquia social tem a palavra decisiva. Elizabeth não é boneca de luxo, disposta a suportar os mandos e desmandos do macho. Ela exige respeito. Pior: numa família com dificuldades financeiras, Elizabeth comete o supremo ultraje –impensável no seu tempo– de recusar propostas de casamento que salvariam a sua condição e a conta bancária de toda a família. A mãe de Elizabeth, deliciosamente histérica, atravessa o romance com achaques nervosos, prostrada no sofá. Se “Orgulho e Preconceito” fosse um romance pós-moderno, a pobre mãezinha passaria metade do tempo suspirando: Esta filha vagabunda vai levar a família toda para a sarjeta!

Elizabeth não cede e triunfa. A família também. E os leitores progressistas?

Esses, não. Os leitores progressistas tendem a ler “Orgulho e Preconceito” como se existissem na trama duas personagens distintas, vindas de mundos distintos, com vícios e virtudes também distintos. Darcy contra Elizabeth, até ao dia em que o amor é mais forte. Erro. Jane Austen não era roteirista em Hollywood. E os leitores progressistas saberiam desse erro se soubessem também que o título original de “Orgulho e Preconceito” não era “Orgulho e Preconceito”. Era, tão simplesmente, “Primeiras Impressões”.

Nem mais. Se existe um tema central no romance, não é Elizabeth, não é Darcy. E não é, escuso de dizer, o dinheiro, a ironia dos diálogos ou a decoração de interiores. “Orgulho e Preconceito” é uma meditação brilhante sobre a forma como as primeiras impressões, as idéias apressadas que construímos sobre os outros, acabam, muitas vezes, por destruir as relações humanas.

De igual forma, “Orgulho e Preconceito” não é, como centenas e centenas de histórias analfabetas, uma história de amor à primeira vista. É, como escreveu Marilyn Butler, professora em Cambridge e a mais importante crítica de Austen, uma história de ódio à primeira vista. E a lição, a lição final, é que amor à primeira vista ou ódio à primeira vista são uma e a mesma coisa: formas preguiçosas de classificar os outros e de nos enganarmos a nós. Elizabeth despreza a arrogância de Darcy sem perceber que essa arrogância, às vezes, é uma forma de defesa: o amor assusta mais do que todos os fantasmas que habitam o coração humano. Darcy despreza Elizabeth porque Elizabeth é uma ameaça ao seu conforto social e até sentimental. Elizabeth e Darcy não são personagens distintos. Eles são, no seu orgulho e preconceito, personagens rigorosamente iguais.

Jane Austen acertou. Duplamente. Como literatura e como aviso. O amor não sobrevive aos ritmos da nossa modernidade. O amor exige tempo e conhecimento. Exige, no fundo, o tempo e o conhecimento que a vida moderna de hoje não permite e, mais, não tolera: se podemos satisfazer todas as nossas necessidades materiais com uma ida ao shopping do bairro, exigimos dos outros igual eficácia. Os seres humanos são apenas produtos que usamos (ou recusamos) de acordo com as mais básicas conveniências. Procuramos continuamente e desesperamos continuamente porque confundimos o efêmero com o permanente, o material com o espiritual. A nossa frustração em encontrar o “amor verdadeiro” é apenas um clichê que esconde o essencial: o amor não é um produto que se compra para combinar com os móveis da sala. É uma arte que se cultiva. Profundamente. Demoradamente.

Por isso, leitores desesperados e sonhadores arrependidos, leiam Jane Austen e limpem as vossas lágrimas! Primeiras impressões todos temos e perdemos. Mas o amor só é verdadeiro quando acontece à segunda vista.

artigo completo na Folha